O Rascunho de um homem só

Sediada no Paraná, publicação chega à maioridade apostando em discussões acaloradas sobre literatura

 

Capa do jornal Rascunho, novembro de 2017

Capa do jornal Rascunho, novembro de 2017

 

Rogério Pereira é indissociável do jornal Rascunho. Ainda que conte com um designer e um assistente para o site, é o jornalista, escritor e editor paranaense quem pessoalmente gerencia anúncios, envia os exemplares aos assinantes, pauta, cobra e edita os colaboradores voluntários, responde reclamações. Na logística que montou para a vida, passa todos os dias pelo correio para resolver problemas com remessas. Não tem Facebook, Twitter nem Whatsapp, mas tem um jornal do qual se encarrega há dezoito anos.

Rogério vai representar jornal no seminário Livros em Revista, realizado pela equipe da Quatro Cinco Um e pelo Sesc-SP. O encontro vai reunir, por dois dias, oito publicações, independentes e não acadêmicas, voltadas para a crítica de livros (leia AQUI sobre o seminário).

“O Rascunho nasceu disposto a ser um espaço amplo e democrático para a discussão sobre literatura. Nosso foco é 100% a literatura. É uma publicação que abriga as mais diversas vozes e opiniões – o que, muitas vezes, gera polêmica e acaloradas discussões”. define. “A gente não deve nada para ninguém, então tem essa pegada meio irresponsável, livre. Hoje até um pouco menos. Quando a gente envelhece,  dá uma amansada.”

Filho de pequenos agricultores de Santa Catarina, Rogério trabalhou desde os treze anos perto ou dentro do jornalismo — sobretudo da extinta Gazeta Mercantil. Na volta de uma pós-graduação na Espanha, em 2000, nasceu o Rascunho, que de lá para cá assistiu às mudanças no mercado editorial e a ascensão da internet (“mudou tudo”), mantendo o gosto pela controvérsia e conciliando a atividade com a direção da Biblioteca Pública do Paraná.  

“Talvez o grande desafio da crítica literária seja dar conta (ou tentar entender) a grande ‘demanda’. Há uma profusão imensa de autores/livros que não encontram retorno da crítica por uma questão bastante simples: a produção literária é imensa, enquanto o espaço tradicional para a crítica é exíguo. Por outro lado, há toda a parafernália digital, que, de maneira ruidosa, busca dar vazão à avalanche de livros.”

Para o ano que vem, ele articula mudanças no formato e na distribuição, com possibilidade de venda do Rascunho em livrarias. Hoje, metade de sua tiragem (5 mil exemplares) vai para para assinantes, com o restante é distribuído em bibliotecas e trabalhos sociais de leitura.

 

Na próxima quarta-feira (29/11), das 20h às 22h, Rogério participa da mesa “Livros em Revista: um panorama”, ao lado de Schneider Carpeggiani (Suplemento Pernambuco). Mirna Queiroz (Revista Pessoa) , Fernanda Paola (Revista Cult) e Bárbara Bulhosa (Granta Brasil-Portugal), com mediação da crítica literária Rita Palmeira.